terça-feira, 23 de junho de 2009

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Rony estava tão feliz que nem ao menos se importou de não ouvir um "Eu te amo" dela.




A semana passou rápido. Hermione acordava todas os dias de manhã cedo para ir trabalhar e, a cada dia que se passava, Rony ficava mais ancioso com os jogos. Já era um quinta-feita, véspera de viagem. Já havia passado do almoço e Hermione já havia chegado do trabalho. Uma chuva fina começava lá fora.


- Rony, vou subir e tirar um cochilo. Estou exausta! - Ela foi até a poltrona que ele estava sentado e deu um beijinho nele.


- Tudo bem. - Respondeu após o selinho, e Hermione subiu.


Fechou a porta do quarto ao passar e se jogou na cama. Estava realmente cansada. Deu uma última olhada pela janela. A chuva rapidamente se intensificou, chegando a fazer um barulho forte, e deixando o céu completamente cinza. Não trocou de roupa, apenas tirou a sandália e se ajeitou para tentar dormir. Escutou a campainha tocar. "Douglas... com mais cartas para Rony". Fechou os olhos e rapidamente adormeceu.


Rony olhou para a porta e se levantou, rapidamente, para atendê-la. Abriu-a. Seus olhos se arregalaram de imediato ao ver um rapaz todo encharcado do outro lado da porta. Seus braços estavam encolhidos contra o corpo e as roupas coladas no mesmo. A barba estava um pouco grande, parecia que não era feita há semanas. O cabelo, já grande, estava grudado na cabeça, cobrindo os olhos.


- Poderia me ajudar, por favor? - Perguntou o homem com a cabeça abaixada e a voz rouca.

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Ela fechou a cara de novo. Deu um selinho rápido nele antes de se levantar, e se dirigir até a escada que dava para o quarto deles. Ele a puxou antes que conseguisse colocar o pé no primeiro degrau da escada.


- Não ficou chateada não, né? - Perguntou ainda a segurando.


Ela apenas olhou para o lado, desviando o olhar, fingindo estar chateada.


- Não, Mi! Nem é a primeira vez que eu viajo...


- E também não é a primeira vez que eu fico desse jeito. - Interrompeu, agora, olhando para ele. Ela fez força para não rir da situação.


Rony, por um momento, pensou em responder a carta de volta dizendo que não ia, mas a gargalhada de Hermione fez ele cair na real.


- Não agüentei, desculpe. - Ela logo viu a cara do namorado. Colocou as duas mãos no peito dele e chegou mais perto. - Você realmente acha que eu vou ficar chateada por causa disso? - Ela deu um selinho nele.


- Achava dez segundos atrás. - Respondeu irônico. Ele a abraçou pela cintura.


- Nem se preocupe. Vá, mas ganhe! Como todas as outras vezes que você foi e ganhou pra mim. - Ela sorriu. - E vamos ter tempo, ainda. Hoje é domingo. Temos até a sexta. - Ele percebeu um tom de malícia na voz.


- Eu te amo, Hermione.


Ela sorriu e tentou responder. Sim, apenas tentou. A frase não saiu, por um motivo desconhecido dela. Estranhou tal coisa, e, para não ficar um clima estranho, o beijou.

[6]

Hermione foi até a cozinha e pegou o pratinho com o enorme sanduíche que Rony fizera, juntamente com um copo de leite que estava lá em cima. Sentou-se na poltrona em frente ao sofá e ligou a televisão. Sim, a casa era trouxa, juntamente com o trabalho de Hermione. Era revendedora de uma loja de perfumes... Megas, para ser mais precisa. Ganhava um salário bom, tirando a gorjeta de cada perfume que ela conseguia vender. Rony estava de férias do seu time de Quabribol. Um dos goleiros mais disputados daquela época. Tinham uma vida perfeita. Foi passando os canais enquanto comia o sanduíche. "Nada interessante". A campainha tocou. Provavelmente era o carteiro. Deixou o pratinho em cima da mesa e se dirigiu até a porta. Agradeceu à Douglas depois de pegar as cartas e se dirigiu novamente até a poltrona que estava. Foi passando de uma em uma.


- Rony, tem carta pra você!


- Não precisa gritar. - Hermione olhou por cima dos ombros. Ele vinha chegando por trás dela.


Ela entregou a carta e ele se jogou no sofá ao lado, rasgando o envelope. Passou-se um tempo. Rony lia a carta e Hermione olhava curiosa para ele. Finalmente o ruivo se virou para ela.


- Vou precisar viajar...


- Não! - Gemeu ela, o interrompendo, escorregando um pouco na poltrona. - Tem que ir mesmo?


Ele balançou a cabeça confirmando, à contra gosto.


- Nesse final de semana. Mas não se preocupe - Ele se levantou do sofá e se agachou na frente da namorada -, segunda-feira estarei de volta.


Ela olhou para ele mais abaixo e fez bico.


- Quando você vai?


- Sexta à tarde. Teremos só dois jogos e se der eu ainda volto antes.


Ela pareceu ficar mais feliz com a proposta dele de voltar antes. E, parecendo que tinha lido os pensamentos dela, tratou logo de acrescentar:


- Mas, só se eu conseguir voltar antes. Não é certeza ainda.