sexta-feira, 24 de julho de 2009

[10]

Apesar do ruivo não ter escutado o que ela falou, conseguiu entender pelos movimentos dos lábios dela. Rony olhou para ele ali. Como não conseguiu reconhecer seu melhor amigo? Não conseguiu falar nada.


Hermione foi descendo o resto da escada, lentamente, ainda o encarando. Aqueles olhos verdes que a encaravam eram totalmente inconfundíveis. Ela caminhou devagar até parar na frente dele.


Harry sorriu. Agora tudo fazia sentido. Olhou para Rony e rapidamente voltou-se para a mulher. Aquele era Rony, e ele não morava sozinho... morava com ela.


- Hermione. - Sua voz também saiu como um sussurro, apesar de estar mais grossa. Ainda sorria.


Ela ainda não acreditava que ele estava ali, parado, na sua frente. Sua expressão rapidamente mudou. A pontada de ódio que sentia por aquele homem veio à tona.


Ela levantou a mão e deu um tapa no rosto dele, com gosto.


- Isso é por você ter fugido! - Disse séria. Esperou ele olhar novamente para ela. Rony arregalou os olhos.


Harry levou a mão ao rosto e o virou lentamente de volta, mexendo o maxilar para ver se não tinha saído nada do lugar. Encarou-a. Agora ela exibia um sorriso de ponta a ponta no rosto.


- E isso é por você ter voltado. - Ela pulou nos braços dele, o abraçando com força.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

[9]

- Vamos, vamos. Entre! - O ruivo o puxou para dentro. - Espere aí!


Rony se dirigiu até o quarto de hóspede que ficava ao lado da escada. O recém chegado deu uma olhada pela casa. "Mora sozinho", pensou. O ruivo pegou um toalha lá dentro e entregou ao homem. Ele colocou sobre as costas.


- Você precisa de um banho! - Disse observando-o de cima à baixo. - Você tem nome?


O homem não respondeu. Permaneceu de cabaça baixa. Parecia tímido. Rony não insistiu. O levou para o quarto de hóspedes, mostrou o banheiro e deu uma toalha limpa. Subiu para o seu quarto, devagar, sem fazer barulho para Hermione não acordar, pegou umas roupas limpas dele e desceu para entregar ao rapaz.


Tudo que o ruivo dizia, ele simplesmente assentia, com a cabeça ainda baixa.
"Ele é... não, não pode ser ele. Mas a voz é igual! Não, ele não estaria morando aqui, muito menos sozinho", pensou após ver o ruivo saindo do quarto e fechando a porta.


Ele tomou um banho. Rony fez um chocolate quente para ele e não fez questão de saber mais nada do rapaz, ele sempre ficava com a cabeça abaixada, como se não quisesse conversar. Hermione continuava dormindo. O homem estava sentado na poltrona, assistindo televisão, ainda tomando o chocolate quente. Os dois escutaram um barulho lá em cima.


Hermione fechou a porta do quarto e desceu as escadas, lentamente, ainda sonolenta. Rony e o rapaz olharam para a escada. A garota tirou a mão do rosto e levantou o olhar para a sala onde seu namorado estava. Ela parou de andar. Milhões de informações vieram na sua cabeça sem parar ao ver aquele rapaz sentado na poltrona, a encarando. Pela primeira vez, com a cabeça levantada. Ela abriu a boca para tentar falar alguma coisa algumas vezes, mas não saiu nenhum som. Os dois ainda se encaravam. Rony olhou do rapaz para a namorada sem entender. Ela finalmente conseguiu falar, saindo como um sussurro.


- Harry! - Seus olhos brilhavam ao encarar ele ali, sentado na cadeira, que horas atrás, Rony estava sentado.

terça-feira, 23 de junho de 2009

[8]

Rony estava tão feliz que nem ao menos se importou de não ouvir um "Eu te amo" dela.




A semana passou rápido. Hermione acordava todas os dias de manhã cedo para ir trabalhar e, a cada dia que se passava, Rony ficava mais ancioso com os jogos. Já era um quinta-feita, véspera de viagem. Já havia passado do almoço e Hermione já havia chegado do trabalho. Uma chuva fina começava lá fora.


- Rony, vou subir e tirar um cochilo. Estou exausta! - Ela foi até a poltrona que ele estava sentado e deu um beijinho nele.


- Tudo bem. - Respondeu após o selinho, e Hermione subiu.


Fechou a porta do quarto ao passar e se jogou na cama. Estava realmente cansada. Deu uma última olhada pela janela. A chuva rapidamente se intensificou, chegando a fazer um barulho forte, e deixando o céu completamente cinza. Não trocou de roupa, apenas tirou a sandália e se ajeitou para tentar dormir. Escutou a campainha tocar. "Douglas... com mais cartas para Rony". Fechou os olhos e rapidamente adormeceu.


Rony olhou para a porta e se levantou, rapidamente, para atendê-la. Abriu-a. Seus olhos se arregalaram de imediato ao ver um rapaz todo encharcado do outro lado da porta. Seus braços estavam encolhidos contra o corpo e as roupas coladas no mesmo. A barba estava um pouco grande, parecia que não era feita há semanas. O cabelo, já grande, estava grudado na cabeça, cobrindo os olhos.


- Poderia me ajudar, por favor? - Perguntou o homem com a cabeça abaixada e a voz rouca.

[7]

Ela fechou a cara de novo. Deu um selinho rápido nele antes de se levantar, e se dirigir até a escada que dava para o quarto deles. Ele a puxou antes que conseguisse colocar o pé no primeiro degrau da escada.


- Não ficou chateada não, né? - Perguntou ainda a segurando.


Ela apenas olhou para o lado, desviando o olhar, fingindo estar chateada.


- Não, Mi! Nem é a primeira vez que eu viajo...


- E também não é a primeira vez que eu fico desse jeito. - Interrompeu, agora, olhando para ele. Ela fez força para não rir da situação.


Rony, por um momento, pensou em responder a carta de volta dizendo que não ia, mas a gargalhada de Hermione fez ele cair na real.


- Não agüentei, desculpe. - Ela logo viu a cara do namorado. Colocou as duas mãos no peito dele e chegou mais perto. - Você realmente acha que eu vou ficar chateada por causa disso? - Ela deu um selinho nele.


- Achava dez segundos atrás. - Respondeu irônico. Ele a abraçou pela cintura.


- Nem se preocupe. Vá, mas ganhe! Como todas as outras vezes que você foi e ganhou pra mim. - Ela sorriu. - E vamos ter tempo, ainda. Hoje é domingo. Temos até a sexta. - Ele percebeu um tom de malícia na voz.


- Eu te amo, Hermione.


Ela sorriu e tentou responder. Sim, apenas tentou. A frase não saiu, por um motivo desconhecido dela. Estranhou tal coisa, e, para não ficar um clima estranho, o beijou.

[6]

Hermione foi até a cozinha e pegou o pratinho com o enorme sanduíche que Rony fizera, juntamente com um copo de leite que estava lá em cima. Sentou-se na poltrona em frente ao sofá e ligou a televisão. Sim, a casa era trouxa, juntamente com o trabalho de Hermione. Era revendedora de uma loja de perfumes... Megas, para ser mais precisa. Ganhava um salário bom, tirando a gorjeta de cada perfume que ela conseguia vender. Rony estava de férias do seu time de Quabribol. Um dos goleiros mais disputados daquela época. Tinham uma vida perfeita. Foi passando os canais enquanto comia o sanduíche. "Nada interessante". A campainha tocou. Provavelmente era o carteiro. Deixou o pratinho em cima da mesa e se dirigiu até a porta. Agradeceu à Douglas depois de pegar as cartas e se dirigiu novamente até a poltrona que estava. Foi passando de uma em uma.


- Rony, tem carta pra você!


- Não precisa gritar. - Hermione olhou por cima dos ombros. Ele vinha chegando por trás dela.


Ela entregou a carta e ele se jogou no sofá ao lado, rasgando o envelope. Passou-se um tempo. Rony lia a carta e Hermione olhava curiosa para ele. Finalmente o ruivo se virou para ela.


- Vou precisar viajar...


- Não! - Gemeu ela, o interrompendo, escorregando um pouco na poltrona. - Tem que ir mesmo?


Ele balançou a cabeça confirmando, à contra gosto.


- Nesse final de semana. Mas não se preocupe - Ele se levantou do sofá e se agachou na frente da namorada -, segunda-feira estarei de volta.


Ela olhou para ele mais abaixo e fez bico.


- Quando você vai?


- Sexta à tarde. Teremos só dois jogos e se der eu ainda volto antes.


Ela pareceu ficar mais feliz com a proposta dele de voltar antes. E, parecendo que tinha lido os pensamentos dela, tratou logo de acrescentar:


- Mas, só se eu conseguir voltar antes. Não é certeza ainda.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

[5]

Ela deixou um última lágrima escorrer pelo seu rosto ao se lembrar, mais uma vez, daquela cena. Por que ainda chorava por ele? Por que sentia tanta falta assim do seu melhor amigo? Certamente ela tinha Rony ao seu lado, o garoto que amava... ou achava que amava... mas ainda assim sentia falta do melhor amigo que tivera, mas que a abandonara há dois anos atrás. Ainda poderia chamá-lo daquele jeito? Alguém bateu na porta do quarto, fazendo-a rapidamente limpar o rosto e abrí-la.


- Ah, Rony. - Ela se virou e se jogou na cama novamente.


- Fiz um lanche pra gente. Está com fome?


- Não muito. - Ela virou o rosto para encará-lo. - Daqui a pouco eu desço. - Ela suspirou.


O ruivo se dirigiu até a cama e se deitou ao lado dela, apoiando a cabeça na mão, ficando um pouco mais alto para fitá-la.


- O que você tem hoje, hein? - Perguntou carinhosamente tirando o cabelo do rosto dela.


- Nada, só estou meio mal. Nada demais. - Ela se virou totalmente para ele e o encarou.


- Harry...? - Perguntou.


Ela apenas balançou um pouco a cabeça, confirmando.


Deu um selinho nela, demorado, logo começando um beijo. Ele levou a mão à cintura dela, girando o próprio corpo para que ficasse por cima dela. Desencostou os lábios dos dela e a encarou. Ela exibia um sorriso um tanto malicioso nos lábios. O beijou novamente, num movimento rápido se virou, e, quando ficou por cima dele, deu um pulo para fora da cama.


- Vou lanchar. - Disse sorrindo e saiu do quarto sem ele.


Rony sorriu, feliz, e observou ela fechar a porta. O quanto ela o fazia feliz, ele não conseguia medir.

[4]

As inúmeras rajadas de feitiços haviam cessado. Os comensais estavam sendo levados pelos Aurores, enquanto Dumbledore conversava com algumas pessoas mais ao longe. Rony estava sendo observado por Madame Pomfrey que insistia em olhar um corte na perna dele. Hermione, um pouco mais afastada dali, abraçava Harry com força, impedindo que ele fosse, novamente, embora.


- Por que você fez isso comigo? - Perguntou meio chorosa. - Duas semanas, Harry!


Ele a soltou e segurou seu rosto.


- Eu tive que fazer isso.


- Para quase morrer, se a gente não tivesse chegado à tempo. - Disse irônica. - Eu senti sua falta, e eu fiquei preocupada com você.


- Eu também, Hermione, eu também. - Ele soltou o rosto dela, suspirando, e foi até um dos troncos de árvores que estava caído, pegando a capa de invisibilidade que havia deixado lá. - Agora... eu preciso ir. - Concluiu ajeitando-a no braço direito.


- Não! - Ela pulou novamente no corpo dele. - Por favor, Harry, por favor. Não vá embora. Eu não vou te perdoar se você for embora, juro que não vou! - Disse o soltando e o encarando. Ele percebeu os olhos fundos e vazios da amiga, que ameaçavam chorar.


Balançou a cabeça negativamente, dizendo para si mesmo que não merecia mais ficar ali.


- Não posso. Eu fui um covarde! Abandonei vocês, e vocês ainda me salvaram depois do que eu fiz.


- Salvamos porque somos seus amigos. - Ela deu uma pausa. - Na carta você pediu que um dia eu te perdoasse. Estou agora aqui, na sua frente, te dizendo que eu te perdôo e implorando para que você volte conosco para lá. - Ela apontou para trás, para o castelo de Hogwarts, ainda o encarando. Estavam no começo da Floresta Proibida.


Harry levantou o olhar, olhando uma última vez para aquele lugar. Suspirou.


- Desculpe, Hermione. Você me perdoôu agora, talvez possa me perdoar daqui há alguns anos... caso eu volte. - Ele pegou a capa no seu braço e jogou por cima de suas costas, deixando apenas a parte frontal do corpo à vista.


- Harry... - Ela não conseguiu falar mais nada. Seus olhos não aguentaram, sua garganta já estava com um nó e ela precisou chorar. Encostou a cabeça no peito dele, com as mãos no rosto, e lá ficou.


O garoto apenas a abraçou, reconfortando-a. Mirou Rony mais ao longe.


- Desculpe por não ter deixado você dizer o que sentia pra ele.


Ela desencostou a cabeça do peito dele e olhou para onde ele olhava.


- Para o Rony? - Ela sorriu. - Depois me entendo com ele. Também não tinha certeza se eu ia conseguir acabar aquela frase.


Harry riu.


- Fique com ele. Cuide dele. E diga para ele que eu mandei ele não deixar nada de mal te acontecer, ok? - Uma lágrima escorreu pelo rosto do garoto ao se lembrar que não poderia mais continuar ali. Ele desencostou novamente Hermione do corpo. Com um das mãos segurou seu rosto e a outra levou a mão dela ao próprio peito. - Você vai estar sempre comigo. Onde quer que eu e você estejamos, você estará sempre comigo. - Ela balançou a cabeça positivamente, nervosa. Mais uma lágrima escorreu pelo rosto de Hermione. Ele beijou-lhe a face lentamente. - Nunca me esqueça. - Sussurrou no ouvido dela antes de se virar para sair.


Ela ainda tentou o segurar pelo braço, numa intenção de fazê-lo voltar de qualquer jeito. Ele não queria fazer isso, mas tinha que fazer. Soltou-se do braço dela rapidamente e se cobriu completamente com a capa. Deixou Hermione lá, parada, chorando por ele.


Ela ainda gritou o nome dele três vezes, tentando, em vão, fazê-lo voltar. E a última coisa que disse naquela noite, saiu como um sussurro, quase que para si mesma: "Seu idiota!"


Fim do Flashback.

[3]

- Eu... morrer? - Ele soltou uma gostosa risada sarcástica.


- Sim, você mesmo. Não sabe contar? Somos quatro contra um. - Agora foi Harry que falou, tomando a frente de Hermione. Ele mal acabou de falar e percebeu vultos passando por trás deles, indo para onde Voldemort estava.


Os comensais logo se materializaram. Estavam em torno de 12 à 15 encapuzados. Voldemort cruzou os braços e sorriu cinicamente.


- Eram quatro contra quantos? - Perguntou sarcástico.


Rony parecia estar acabando de contá-los.


- Treze. - Disse num sussurro, quase sem voz, apavorado. Sua mão tremia enquanto segurava a varinha.


Hemione olhou para ele, temorosa, mas logo voltou-se para frente.


- Os Aurores estão à caminho, não se preocupem. - Disse Dumbledore apenas para os menores, podendo-se, agora, perceber um leve tom preocupado na voz.


- E quando chegarem aqui já estaremos mortos! - Respondeu Rony irônico, apavorado.


- Ronald... - Começou Hermione, hesitante. - ... acho que não estarei viva pra te dizer isso, então acho que vou te dizer logo. - Ele voltou-se para ela, ainda tremendo. Harry olhou por cima dos ombros ao escutar ela falando aquilo. Sorriu. Ela ia realmente falar? - Bom, é que, você pode até ser um tapado, como a Gina diz - Ela abaixou um pouco a cabeça -, mas... é que... que eu... - Ela foi impedida de continuar. Harry havia se jogado contra o corpo dela, a empurrando para o chão, gritando seu nome, após Voldemort lançar um feitiço na direção dela.


- Agora não é hora para declarações! - Lembrou-a se levantando, sorrindo. Puxou-a para cima. O feitiço bateu numa árvore mais atrás, fazendo-a cair, e soando como um aviso... a batalha ia começar.

terça-feira, 9 de junho de 2009

[2]

Flashback.




Harry já havia fugido há duas semanas de Hogwarts. Mesma desculpa de sempre: É para proteger vocês. Estarão correndo perigo perto de mim. Essa era a frase que Hermione mais odiava na vida dela, saindo dele. Ainda o tentou impedir de ir embora, em vão. Havia deixado uma carta dizendo apenas.


Me desculpe. Espero que me perdoe por isso um dia.


Não havia dito aonde iria, muito menos fazer o quê. Ele sabia muito bem que se fosse procurar as Horcruxes, precisaria de ajuda, dos amigos, e de Aurores. Mas como Hermione dizia em seus momentos de raiva dele... ele queria dar um de heroizinho.


O dia da batalha havia chegado, Harry já lutava com Voldemort há alguns minutos.


Dumbledore chamou os dois na sala dele. Suspirou pesadamente, como se medisse as conseqüências de tal decisão.


- Vocês querem lutar?


Hermione o encarou, com os olhos semi cerrados, como se analisasse aquela pergunta. Entendeu ao que ele se referia.


- Queremos! - Respondeu a garota de imediato, sob um olhar meio apavorado de Rony.


Voldemort já apontava a varinha para Harry, que se encontrava indefeso, caído no chão.


- Um último pedido. - Disse o homem encapuzado, com o tom frio, fazendo qualquer um tremer de medo.


- Que você morra! - Harry o encarava com ódio.


- Avada Ke...


- Hey, seu babaca! Pense duas vezes antes de convocar esse feitiço. - Ele foi impedido de continuar. Harry e Voldemort olharam para onde vinha a voz.


Hermione estava mais á frente, com a varinha em punho, firme, apontando para ele. Rony ao lado esquerdo dela, com a varinha também em mãos, apesar de ver claramente o medo que ele estava. Dumbledore estava ao lado direito dela, encarando-o com uma feição séria, com a mão relaxada, apontando a varinha para o chão.


- Ora, ora, ora. Mais gente querendo ser morta! - O homem falou irônico, tirando a varinha da direção de Harry.


- Vai sonhando. - Disse Hermione novamente. - O único que vai ser morto aqui é você. - Se a garota estivesse com medo, ela estava conseguindo não transmitir isso.


Harry olhou para Voldemort, depois para Hermione. Podia-se ver, quase que claramente, as faíscas entre os dois. Pareciam que estava lutando apenas com o olhar. "De onde ela tirou essa coragem toda?". Ele se levantou devagar, pegou sua varinha um pouco atrás de si e foi até Hermione, rapidamente. Eles ainda continuavam se encarando.

Foi por causa do perfume. [1]

Capítulo 1




Era a terceira vez que Hermione ia para aquela janela da pequena casa que morava em Londres. A rua e a paisagem mais á frente, apesar de estar um céu nublado, lhe pareciam mais interessante do que o livro que já tentava ler pela sexta vez. Suspirou pesadamente. Ainda não se contentava com aquilo. Estava impaciente e um pouco nervosa, apesar de não ser a primeira vez que sentia aquilo. Não sabia por que, nem como, mas sentia que ele estava vivo. "Ele está vivo, eu sei que está!". Percebeu dois braços, consideravelmente fortes, lhe abraçando por trás.


- Você está bem? - Perguntou carinhoso, beijando-lhe o pescoço.


Ela se virou e encarou aqueles olhos azuis. Abaixou um pouco o olhar antes de falar.


- Não sei, Rony - Novamente suspirou. - Hoje faz exatamente dois anos que ele fugiu. - Olhou para o ruivo, que a encarava meio preocupado. - Você acha que ele pode estar vivo? - Perguntou esperançosa.


Ele deu de ombros, mas logo continuou.


- Voldemort pode até estar morto, mas ainda tem gente querendo matar o Harry. - Respondeu com um tom meio preocupado.


Hermione segurou o rosto dele com as duas mãos e deu um breve beijo em seus lábios, logo em seguida, o abraçando. Ela encostou o queixo no ombro do namorado e ficou a pensar.


- Ainda bem que você está aqui. - Disse ela num fio de voz.


- Estou aqui... estou aqui com você. - Repondeu Rony afagando os cachos dela.


A garota... ou podendo-se dizer mulher, já com os seus 20 anos... se desenlaçou dos braços dele e soltou um sorriso meio amarelo antes de se dirigir até o seu quarto. Fechou a porta lentamente e se jogou na cama de casal. Virou-se para o lado, parando o olhar novamente naquela foto. Por que ela ainda insistia em guardá-la? A foto era consideravelmente velha, apenas o três, sorrindo, felizes como nunca. Primeiro ano deles. Lembranças invadiram sua cabeça. Por mais que sentisse falta do melhor amigo, ainda carregava uma pontada forte de ódio dele. Mas ele ainda estava ali, naquela foto. Porque simplesmente não rasgava, tirando-o de lá, desfazendo o trio, como fizera a exatamente dois anos atrás?